Imagem: Divulgação Bem Paraná
Os bombeiros militares do Paraná que integraram a missão humanitária brasileira na Venezuela foram homenageados em uma cerimônia oficial realizada nesta segunda-feira (13) no Palácio Iguaçu, em Curitiba. A solenidade prestou reconhecimento ao heróico trabalho da equipe e contou com a presença ilustre das cadelas de busca Meghan e Ayra, que estiveram na linha de frente dos resgates após o país vizinho ser castigado por dois violentos terremotos no dia 24 de junho.
O contingente paranaense faz parte da força-tarefa brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BRA-01), que está em processo de certificação internacional junto ao INSARAG, braço da Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo de elite reúne especialistas do Paraná, Minas Gerais e São Paulo.
A prontidão e o preparo técnico dos militares foram enaltecidos pelo secretário da Segurança Pública, Saulo de Tarso Sanson Silva. “A resposta do nosso Corpo de Bombeiros foi muito rápida. Em desastres, as primeiras 72 horas são fundamentais, e fomos a primeira delegação do Brasil a atuar em solo venezuelano. Isso demonstra que pertencemos à elite mundial de bombeiros”, enfatizou. O comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, completou destacando que o resultado é fruto de anos de investimentos contínuos em capacitação e equipamentos através da Força-tarefa de Resposta a Desastres (FTRD).
O cenário de guerra e os desafios em solo venezuelano
A equipe do Paraná desembarcou na Venezuela na manhã de 27 de junho, mobilizando dez bombeiros, duas cadelas e quatro toneladas de maquinários e insumos especializados. O cenário encontrado na região de Vargas — que engloba localidades como La Guaira, Caraballeda e Catia La Mar — era de completa destruição, com edifícios de até 15 andares totalmente desabados.
O tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) e líder da equipe na missão, relatou o perigo constante enfrentado pelos profissionais devido às réplicas (tremores secundários). "O incêndio e a água são perigosos, mas terremoto é uma situação em que você não tem controle. Nunca me preocupei tanto de alguém morrer em serviço como agora. É gratificante estarmos todos bem", revelou.
Durante as duas semanas de intensas atividades, os militares enfrentaram obstáculos severos:
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Calor extremo: Exigiu um rodízio rigoroso e desgastante entre as equipes de corte e penetração;
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Colapso estrutural: Necessidade de escoramentos complexos de engenharia para proteger os próprios socorristas;
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Crise logística: Falta generalizada de energia elétrica, bloqueio de vias por toneladas de escombros e escassez extrema de combustíveis.
O faro apurado das cadelas Meghan e Ayra foi crucial para rastrear com rapidez os pontos com maior probabilidade de sobreviventes sob o concreto. Ao todo, a equipe realizou 90 intervenções de alta complexidade e atuou na recuperação de 23 vítimas em óbito. Integrada a outras nações sob a coordenação da ONU, a força-tarefa ajudou a salvar 14 pessoas com vida em situação crítica.
Condecoração e balanço da tragédia
Como forma de reconhecimento pelo heroísmo e representação internacional, os militares paranaenses foram condecorados com a Medalha de Honra Presidente Carlos Cavalcanti de Albuquerque, uma das distinções mais importantes da corporação.
O tamanho do desastre: A Venezuela foi atingida por um "terremoto duplo" no dia 24 de junho, com dois abalos sucessivos de magnitude 7,2 e 7,5 na Escala Richter em menos de um minuto. Segundo o último balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano, a tragédia já contabiliza mais de 4,4 mil mortos, 16,7 mil feridos e deixa quase 20 mil pessoas desabrigadas.
Via: Bem Paraná
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