Imagem: Gabriel Rosa/Arquivo AEN
Um estudo recente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou um abismo salarial e social no mercado de trabalho brasileiro ligado à jornada de trabalho. Os dados mostram que profissionais que cumprem 44 horas semanais — a maioria na escala 6x1 — recebem, em média, um salário 57,7% menor do que aqueles que trabalham 40 horas por semana.
Enquanto a remuneração média de quem atua até 40 horas (escala 5x2) é de R$ 6.211, quem está na jornada máxima permitida pela Constituição recebe apenas R$ 2.626,05.
Escolaridade é o principal divisor
De acordo com os pesquisadores, a diferença salarial não é apenas uma questão de horas trabalhadas, mas de escolaridade. O estudo aponta que:
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83% dos trabalhadores na jornada de 44h possuem apenas o ensino médio completo.
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O índice de quem tem ensino superior cai drasticamente para 53% nesse grupo.
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Ocupações na agropecuária, comércio e indústria de base são as que mais concentram essas jornadas exaustivas.
O debate sobre o fim da escala 6x1
A redução da jornada está no centro das atenções no Congresso Nacional. Atualmente, duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que visam o fim da escala 6x1 já foram aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O Ipea estima que a transição de 44 para 40 horas semanais elevaria o custo da mão de obra em 7,84%. Caso a proposta avance para a escala 4x3 (36 horas), o custo subiria 17,57%. No entanto, técnicos afirmam que esse impacto pode ser absorvido pela economia, de forma semelhante ao que ocorre com a valorização do salário mínimo.
Impacto Social e Desigualdade de Gênero
O estudo também destaca que as mulheres são as mais afetadas indiretamente. Apenas 41% dos trabalhadores formais são mulheres, e a baixa presença feminina em jornadas de 44h é explicada pela sobrecarga das "tarefas de cuidado" no lar.
Para Felipe Pateo, pesquisador do Ipea, a redução da jornada diminuiria as desigualdades: "Ela melhoraria a qualidade de vida, daria mais tempo para o cuidado da família e traria consequências positivas para a saúde da população", afirma.
Via: Bem Paraná
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