Agosto Lilás alerta para os impactos psicológicos invisíveis da violência contra a mulher

Agosto Lilás alerta para os impactos psicológicos invisíveis da violência contra a mulher

Imagem: Reprodução Alerta Paraná

 

Dedicação nacional à conscientização e combate à violência doméstica, a campanha Agosto Lilás reforça a urgência de debates sobre a proteção feminina. Em meio ao cenário preocupante em âmbito nacional e estadual, especialistas alertam que os desdobramentos das agressões vão além das marcas físicas, exigindo suporte emocional contínuo para as vítimas.

No Paraná, 87 mulheres foram vítimas de feminicídio no ano passado, dentro do total de 1.571 casos registrados em todo o Brasil, além de mais de 4 mil tentativas de feminicídio. Em Cascavel, atendimentos prestados pela Patrulha Maria da Penha registraram um aumento de mais de 16% nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior — salto atribuído ao fortalecimento da rede de proteção e ao aumento no volume de denúncias formalizadas.

Mutilações invisíveis: Os traumas psíquicos pós-agressão

Para a médica psiquiatra paranaense Fernanda Sartori, professora do Hospital Heidelberg, a violência psicológica — que registrou mais de 60 mil ocorrências no país em 2025 — gera sequelas profundas na autonomia e na percepção da realidade das vítimas.

A profissional ressalta que o encerramento do vínculo ou das agressões não encerra imediatamente o sofrimento:

  • Estado de alerta constante: Sensação permanente de insegurança e medo mesmo após a cessação do perigo imediato.

  • Impacto na autoestima e culpa: Desconstrução da autoconfiança e sentimentos desproporcionais de responsabilidade pelas agressões.

  • Riscos à saúde mental: Casos de violência sexual e agressões continuadas associam-se ao desenvolvimento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e depressão severa.

Dados da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado) mostram que 27% das brasileiras com 16 anos ou mais relatam ter sofrido violência doméstica ao longo da vida. As consequências afetam diretamente a rotina diária (69%), o convívio social (68%), o trabalho (46%) e os estudos (42%).

Acolhimento sem julgamentos e rede de apoio integrada

A médica reforça que sair de uma relação violenta envolve um processo complexo, atravessado por fatores como dependência financeira, ameaças, cuidado com filhos, vínculo emocional e falta de suporte externo.

A recuperação efetiva exige a atuação conjunta de acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e o apoio de redes assistenciais e familiares, livres de julgamentos e focados na reconstrução da autonomia e segurança da mulher.

Via: Alerta Paraná

 

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