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ONU prevê que limite de aquecimento será ultrapassado nos próximos anos; especialistas defendem redução urgente das emissões
O planeta deve ultrapassar nos próximos anos o limite de 1,5°C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais, aumentando os riscos para a saúde, a agricultura, a economia e o meio ambiente. O alerta foi feito nesta quarta-feira (2) por especialistas após a divulgação de informações pelas Nações Unidas.
Entre os possíveis impactos estão o aumento de ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas, desastres naturais e perdas agrícolas. Segundo especialistas, quanto maior for o aquecimento e quanto mais tempo a temperatura permanecer acima de 1,5°C, mais difícil será reverter o cenário.
A presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, afirmou que a dimensão e a duração do aquecimento serão determinantes para definir os impactos sobre a sociedade e o meio ambiente.
De acordo com Krug, a temperatura média global já está aproximadamente 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com avanço estimado de 0,26°C por década. Mantido o ritmo atual de emissões, a especialista avalia que haveria apenas alguns anos para limitar o avanço do aquecimento.
Impactos econômicos
Os efeitos do aquecimento também já provocam prejuízos econômicos. O economista Sergio Margulis, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, afirma que perdas relacionadas à infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam cerca de 2% do PIB global.
Para o especialista, é necessário ampliar os investimentos na transição energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo ele, os gastos globais com descarbonização precisam aumentar significativamente.
Mudanças precisam ser aceleradas
O diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, classificou o cenário como grave e defendeu mudanças urgentes.
Entre as medidas apontadas estão a redução da queima de combustíveis fósseis, o combate à conversão de florestas e uma mudança na relação da sociedade com os recursos naturais.
O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, também reforçou que o alerta não significa abandonar a meta de limitar o aquecimento. Para ele, é necessário impedir que a temperatura global ultrapasse ainda mais o limite estabelecido.
Especialistas destacam ainda que a COP31, prevista para ocorrer daqui a dois meses, será uma oportunidade para ampliar as medidas internacionais de combate às mudanças climáticas.
Via: Agência Brasil
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