Imagem: Paulo Pinto
O Brasil registrou cerca de 2 milhões de trabalhadores atuando por meio de plataformas digitais e aplicativos em 2025. A esmagadora maioria atua por conta própria, enfrentando jornadas de trabalho mais extensas do que a média dos ocupados no setor privado e recebendo um valor menor por hora trabalhada.
Os dados constam do módulo sobre trabalho plataformizado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado nesta sexta-feira (4 de setembro) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de 1,959 milhão de pessoas classificadas como "plataformizadas" representa 1,9% do total de trabalhadores ocupados no país.
Perfil dos serviços e avanço do setor
A categoria de transporte de passageiros é a principal atividade do setor, englobando aproximadamente 1,2 milhão de pessoas (58,9% do total). Desses, 1,1 milhão prestam serviços por plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil atuam exclusivamente via aplicativos de táxi.
O mapeamento do IBGE detalha ainda a distribuição nas demais modalidades:
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Entregadores (19,2%): Somam 376 mil pessoas trabalhando para plataformas de entrega de comida e produtos, como iFood, Rappi e Zé Delivery.
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Serviços Gerais e Profissionais (16%): Abrange 313 mil profissionais, incluindo designers, tradutores e médicos que utilizam plataformas para telemedicina e captação de clientes.
Analisando exclusivamente os profissionais que têm nos aplicativos sua fonte principal de ocupação, o contingente passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e alcançou 1,8 milhão em 2025 — um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% no acumulado de três anos. O segmento de entregadores apresentou a maior alta anual, crescendo 18,6% entre 2024 e 2025.
Entre as pessoas que têm nos aplicativos a ocupação principal, 84,4% são do sexo masculino e 47% estão na faixa etária de 25 a 39 anos. A impossibilidade de encontrar outro emprego figura como a principal razão para o ingresso na atividade entre motoristas e entregadores.
Jornada mais longa, menor ganho por hora e informalidade
O rendimento médio mensal do trabalho principal dos plataformizados ficou em R$ 3.147 em 2025, patamar equivalente ao dos trabalhadores não plataformizados (R$ 3.148). O valor do cálculo refere-se ao saldo líquido, já descontados custos operacionais como combustível e manutenção.
No entanto, os profissionais de aplicativos cumpriram uma jornada semanal média de 44,7 horas, contra 39,3 horas dos demais ocupados no setor privado — uma diferença de 5,4 horas a mais por semana. Por atuarem mais horas para atingir a mesma renda mensal, os plataformizados registraram rendimento por hora de R$ 16,20, valor 12% inferior aos R$ 18,40 por hora recebidos pelos não plataformizados.
A pesquisa também expõe a vulnerabilidade social e trabalhista da categoria:
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Informalidade: Atinge 72,1% dos trabalhadores por aplicativo, em comparação a 42,7% entre os não plataformizados.
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Previdência: Apenas 34% dos plataformizados possuem cobertura previdenciária, contra 63% no restante do setor privado.
Dependência das plataformas digitais
Embora 86,8% dos plataformizados se declarem autônomos (trabalhadores por conta própria), o IBGE destaca uma forte dependência em relação às empresas gestoras. Entre os motoristas de aplicativo (exceto táxi), 80,2% informaram que o valor repassado por tarefa depende totalmente das diretrizes das plataformas. Entre os entregadores, esse índice alcança 78,3%.
Além disso, 71,3% dos entregadores afirmaram que a forma de pagamento é definida pela empresa, enquanto 65,9% dependem das plataformas para a determinação dos prazos de entrega.
O levantamento do IBGE ganha relevância no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa processos que tratam da existência de vínculo empregatício e da regulamentação do trabalho intermediado por aplicativos no Brasil.
Via: Agência Brasil
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