Apenas 44% dos jovens trabalham com carteira assinada no Brasil, indica Fundação Itaú

Apenas 44% dos jovens trabalham com carteira assinada no Brasil, indica Fundação Itaú

Imagem: Fernando Frazão

 

A formalização do trabalho entre os jovens brasileiros de 16 a 29 anos reflete marcantes desigualdades sociais, regionais e raciais. Os dados constam na pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, realizada pela Fundação Itaú com apoio do Datafolha e do Instituto Locomotiva.

O levantamento, que ouviu 1.816 pessoas entre os dias 11 e 23 de maio deste ano, revela que 70% dos jovens trabalham. Destes, 44% têm carteira assinada, 15% são assalariados informais, 13% autônomos ou freelancers, 10% atuam em trabalhos informais e 8% são estagiários ou aprendizes. Além disso, 20% estão à procura de emprego.

Disparidades e o peso das indicações

As diferenças de classe, raça e região influenciam diretamente o acesso ao mercado formal:

  • Classe social: Nas classes A/B, a formalização atinge 43%, ante 35% nas classes D/E. Por outro lado, 21% dos jovens de baixa renda trabalham sem registro, contra 13% dos mais abastados.

  • Região: Os maiores índices de carteira assinada estão no Sul (58%) e Sudeste (55%), enquanto o Norte registra 29% e o Nordeste apenas 20%.

  • Raça: A taxa de empregados formais é de 49% entre brancos e de 41% entre negros. Os bicos informais afetam 12% dos jovens negros e 5% dos brancos.

Para conseguir uma vaga, a falta de experiência é apontada como o principal obstáculo por 49% dos entrevistados. Diante dessa dificuldade, o network se consolida como fator determinante: 77% afirmaram ter conquistado a colocação atual por meio de indicação de amigos ou familiares.

Projeções de carreira e saúde mental

Embora 30% dos jovens queiram um emprego formal no momento, o desejo por estabilidade cai para 16% ao projetarem os próximos cinco anos. Em contrapartida, a preferência pelo trabalho autônomo e pelo empreendedorismo sobe de 28% para 42% no mesmo período.

O aspecto financeiro permanece como prioridade na escolha profissional para 64% dos entrevistados. No entanto, a busca por qualidade de vida ganha força: 62% aceitariam ganhar menos para atuar em um ambiente com menor pressão. Demonstrando baixa tolerância a ambientes nocivos, 43% dos que já pediram demissão apontaram como motivo a falta de respeito ou o tratamento inadequado por parte dos líderes.

Outros destaques do levantamento:

  • Uso da tecnologia: Quase a totalidade dos jovens (97%) utiliza inteligência artificial e a internet para capacitação profissional.

  • Receio da automação: 90% acreditam que a IA vai eliminar postos de trabalho e 50% temem perder espaço para novas tecnologias.

  • Dupla jornada: Metade dos entrevistados (50%) cuida da casa além de trabalhar ou estudar — atribuição praticada por 60% das mulheres e 40% dos homens.

  • Caminho preferido: Embora 85% considerem o diploma universitário importante, 91% veem nos cursos técnicos um trajeto mais rápido para a inserção profissional.

Via: Agência Brasil

 

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