Imagem: Lee Celano/Reuters
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, emitiu um alerta contundente nesta segunda-feira (23/03/2026) durante pronunciamento no National Press Club, na Austrália. Segundo o dirigente, o atual cenário de instabilidade no Oriente Médio e a interrupção de fluxos pelo Estreito de Ormuz criaram uma crise energética global sem precedentes, superando em gravidade os choques do petróleo de 1973 e 1979, bem como o colapso do mercado de gás ocorrido após a invasão da Ucrânia.
A interrupção atinge "artérias vitais" da economia, afetando não apenas o óleo bruto e o gás, mas também o comércio de petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio. Birol destacou que a Ásia é a região mais vulnerável devido à dependência direta da rota de Ormuz. “A solução mais importante para este problema é a abertura do comércio no Estreito de Ormuz”, declarou o diretor, reforçando que o bloqueio compromete a estabilidade mundial.
Medidas de Emergência e Produção Global
Para tentar equilibrar o mercado, a AIE está em negociações diretas com países como Canadá e México para elevar a produção de petróleo. Além disso, a agência incentiva refinarias ao redor do mundo a acelerarem seus processos. Outras frentes de ação incluem:
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Liberação de Estoques: Após uma liberação histórica de 400 milhões de barris, a AIE estuda novas rodadas de estoque emergencial para acalmar os preços, embora Birol ressalte que isso é apenas um paliativo.
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Crise do GNL: Ataques com mísseis iranianos interromperam as exportações do Catar. Países como Austrália tentam suprir a lacuna, mas novas instalações globais ainda precisam entrar em operação para compensar a falta do gás vindo do Oriente Médio.
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Danos à Infraestrutura: Pelo menos 44 ativos de energia foram gravemente danificados em nove países da região do conflito.
Racionamento e Impacto Social
O diretor-geral alertou que o mundo pode enfrentar períodos de racionamento de energia e medidas de conservação semelhantes às adotadas durante a pandemia de Covid-19. Os países mais pobres devem ser os mais afetados pelo desabastecimento e pela alta dos preços. "A liberação de nossos estoques ajudará a reduzir o impacto, mas não é a solução definitiva", concluiu.
Órgãos de regulação e agências internacionais, como a AIE e as autoridades nacionais de energia, desempenham funções fundamentais no licenciamento, monitoramento e fiscalização das reservas estratégicas. Esse trabalho de vigilância técnica é essencial para coordenar respostas rápidas a choques de oferta, garantindo a segurança energética e mitigando os efeitos inflacionários que ameaçam a estabilidade das nações e a qualidade de vida da população.
Via: CNN Brasil
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