Imagem: Yara Ramalho/g1 RR
O cenário das migrações internacionais em território brasileiro registrou uma reviravolta histórica. Pela primeira vez em anos, os cidadãos cubanos lideraram o número de solicitações de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que tradicionalmente ocupavam o topo do ranking. No balanço geral, os pedidos de refúgio no país cresceram 10,9% no ano passado em comparação com o ano anterior.
Ao todo, o Brasil contabilizou 75.599 pedidos de proteção legal internacional, consolidando o terceiro maior volume de toda a série histórica, ficando atrás somente dos anos de 2018 e 2019. Os dados oficiais constam no relatório Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O estudo, que compreende o período de 2010 a 2025, foi divulgado nesta segunda-feira (22), em alusão ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado no último sábado (20).
O que é o Refúgio? Trata-se de uma proteção jurídica internacional concedida a indivíduos ou grupos que enfrentam sérios riscos de vida em seus países de origem devido a guerras civis, perseguições políticas, raciais, religiosas, terrorismo ou crises climáticas severas. Ao acolher o solicitante, o Estado brasileiro assume o compromisso legal de não devolvê-lo ao país de origem, garantindo-lhe documentação, acesso à saúde, educação, mercado de trabalho e liberdade de culto.
De acordo com os pesquisadores, o expressivo volume registrado em 2025 reflete a consolidação de uma tendência de retomada dos fluxos migratórios rumo ao Brasil, que já vinha se desenhando nos anos de 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após o período de severas restrições sanitárias impostas pelas barreiras da pandemia de Covid-19.
O colapso na ilha de Cuba e o êxodo populacional
Do montante global de solicitações encaminhadas ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) no ano passado, impressionantes 41.919 pedidos (55,4%) partiram de cidadãos cubanos — um salto dramático de 88,1% em comparação com os indicadores de 2024.
O forte fluxo migratório é impulsionado pelo agravamento crítico da crise econômica e de desabastecimento na ilha. O estopim para o colapso estrutural ocorreu no início do ano, após a operação militar dos Estados Unidos em Caracas que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. O governo norte-americano passou a exercer o controle parcial sobre o destino do petróleo venezuelano e cortou o envio do combustível para Cuba, que dependia diretamente desse insumo.
Sem o combustível vital, o sistema elétrico cubano colapsou, uma vez que a produção própria atende a menos da metade da demanda do país. Como reflexo, os apagões diários passaram a durar até 20 horas. Sob fortes ameaças de ofensivas militares por parte de Washington e pressão internacional por mudanças no regime de partido único, o Parlamento cubano aprovou, na última semana, um pacote emergencial de reformas econômicas para tentar conter a crise.
Venezuela: Mudança de poder e estabilização do fluxo
Os venezuelanos figuram na segunda colocação do levantamento de 2025, somando 21.233 requisições de refúgio. Embora o país vizinho ainda enfrente uma severa crise econômica e desabastecimento crônico de alimentos que se arrasta por mais de uma década, analistas apontam que a recente transição política freou o êxodo massivo.
Após a captura de Maduro pelas forças americanas, o comando da Venezuela foi transferido de forma interina para Delcy Rodríguez. Embora fosse aliada histórica do antigo regime, Rodríguez promoveu uma aproximação diplomática e comercial com o governo de Donald Trump.
Um estudo estatístico recente da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) revelou que cerca de um terço dos venezuelanos que vivem atualmente em solo sul-americano cogita retornar à pátria caso as promessas de novos postos de trabalho e segurança institucional comecem a se concretizar.
Origem dos Pedidos de Refúgio no Brasil (2025)
-
Cuba: 41.919 solicitações
-
Venezuela: 21.233 solicitações
-
Colômbia: 1.432 solicitações
-
Angola: 1.253 solicitações
-
Marrocos: 888 solicitações
-
Gana: 792 solicitações
Perfil dos solicitantes e distribuição regional
A região Norte do Brasil continua sendo a principal porta de entrada e processamento dos pedidos de acolhimento. Cerca de 52,4% de todas as solicitações analisadas pelo Conare foram registradas nos estados da região setentrional, concentrando fluxos da Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524).
O estado de Roraima manteve a liderança isolada como a unidade federativa com o maior volume de processos decididos, totalizando 16.166 casos (32% do total nacional). O Amapá aparece na segunda posição com 6.372 pedidos (12,6%), seguido pelo Amazonas, com 2.445 registros (4,8%).
| Perfil Geral dos Solicitantes | Estatísticas e Faixa Etária |
| Gênero Masculino | 55,9% dos pedidos |
| Gênero Feminino | 44% dos pedidos |
| Faixa Etária Predominante (Geral) | 25 a 40 anos (26.911 pessoas) |
| Perfil Específico de Cuba | Maioria composta por idosos acima de 60 anos (67,8%) |
A esmagadora maioria das concessões deferidas pelo Conare (94,7%) teve como justificativa jurídica a existência de uma situação de "violação grave e generalizada de direitos humanos" nos países de origem — categoria em que os venezuelanos constituem o maior bloco beneficiado. O Brasil adota trâmites desburocráticos e simplificados para nações que se enquadram formalmente nesse critério de crise humanitária crônica, facilitando o acolhimento ágil de populações vulneráveis vindas também de nações como a Síria e o Afeganistão.
Via: g1
RRMAIS.COM.BR “Notícias com Credibilidade” – Guaraniaçu-Pr.
Envie fotos vídeos, sugestão de pautas, denúncias e reclamações para a equipe Portal RRMAIS.COM.BR pelo WhatsApp (45) 9 9132-8230.