Desigualdade de gênero compromete segurança hídrica mundial, alerta relatório da ONU

Desigualdade de gênero compromete segurança hídrica mundial, alerta relatório da ONU

Imagem: José Cruz

 

As disparidades entre homens e mulheres continuam a ser um obstáculo crítico para a gestão da água no planeta. Segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado nesta quinta-feira (19/03/2026) pela Unesco, mulheres e meninas são as principais afetadas pela falta de acesso a serviços seguros. Embora sejam as responsáveis pela coleta de água em mais de 70% dos domicílios rurais sem saneamento, elas permanecem sistematicamente excluídas dos cargos de liderança e tomada de decisão no setor.

O estudo, divulgado em alusão ao Dia Mundial da Água — celebrado no próximo domingo (22) —, revela que 2,1 bilhões de pessoas ainda vivem sem água potável administrada de forma segura. "Garantir a participação feminina na governança hídrica é fundamental para o desenvolvimento sustentável. Quando as mulheres têm acesso igualitário, toda a sociedade se beneficia", afirmou Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco.

Impactos no Cotidiano e na Educação

A sobrecarga do trabalho não remunerado gera consequências graves para o desenvolvimento de meninas e mulheres. O relatório destaca pontos alarmantes sobre a realidade global:

  • Perda de Tempo e Oportunidades: Mulheres e meninas gastam, juntas, 250 milhões de horas todos os dias apenas coletando água, tempo que poderia ser investido em educação e geração de renda.

  • Saúde e Dignidade: A precariedade das instalações sanitárias afeta a higiene menstrual. Estima-se que 10 milhões de adolescentes faltaram à escola ou ao trabalho entre 2016 e 2022 por falta de condições básicas de higiene.

  • Vulnerabilidade: A busca por água em locais distantes ou inseguros expõe esse público a maior esforço físico e riscos de violência de gênero.

Barreiras Legais e Recomendações

Um dos principais entraves apontados pelo estudo é a ligação entre os direitos à água e a posse de terra. Como as leis de propriedade em muitos países ainda discriminam as mulheres — com homens detendo o dobro de terras em comparação a elas —, o acesso hídrico para fins produtivos, como a agricultura, acaba sendo restrito ao público masculino.

Para reverter esse cenário, a ONU recomenda a eliminação de barreiras legais e institucionais, o investimento em dados detalhados por sexo para orientar políticas públicas e o fortalecimento da liderança técnica feminina em áreas científicas da governança.

Órgãos de gestão ambiental e hídrica, como o Instituto Água e Terra (IAT) no Paraná e a ONU-Água em nível global, desempenham funções fundamentais no licenciamento, monitoramento e fiscalização dos recursos hídricos. Esse trabalho de vigilância é essencial para garantir que a distribuição de água ocorra de forma justa e sustentável, promovendo o equilíbrio social e a proteção dos ecossistemas essenciais para a vida.

Via: Agência Brasil

 

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