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O comércio internacional entrou em uma fase de profundas transformações e os alimentos ganharam o status de ativos de segurança nacional. O movimento, iniciado de forma agressiva pela China, agora se espalha pelas economias que compõem o G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), redesenhando o fluxo global de mercadorias. Para o Brasil, consolidado como um dos maiores exportadores agrícolas do planeta, o novo cenário impõe o desafio de navegar entre restrições comerciais e exigências fitossanitárias sem perder mercados estratégicos.
Se durante décadas a globalização foi sinônimo de eficiência logística e abertura comercial, hoje os governos das principais potências mundiais enxergam as cadeias de suprimento como verdadeiros instrumentos de poder econômico. A proteção da soberania de cada país passou a se misturar diretamente com conceitos de segurança alimentar, sustentabilidade e resiliência no abastecimento.
China triplica restrições e amplia controle jurídico
A mais recente rodada de restrições promovida por Pequim entrou em vigor no dia 31 de março, através do Regulamento do Conselho de Estado sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Suprimento. O mecanismo é apontado como um dos mais robustos já adotados pelo governo chinês, ampliando o poder de intervenção do Estado sobre setores considerados vitais.
Os números revelam o tamanho dessa mudança de postura da potência asiática:
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Explosão de barreiras: A China triplicou o número de restrições voltadas à exportação de insumos e produtos nos últimos cinco anos;
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Histórico recente: Entre 2021 e 2025, o país impôs restrições comerciais em 30 ocasiões distintas — o triplo das 10 registradas no período entre 2015 e 2020.
A pavimentação desse arsenal jurídico começou ainda em 2020, com a aprovação da lei de controle de exportações para bens de uso dual (civil e militar). Desde então, Pequim molda os fluxos de acordo com suas necessidades internas, gerando vulnerabilidades para países parceiros altamente dependentes do mercado chinês, como é o caso do Brasil em diversas frentes do agro.
G7 reage e adota "Segurança Econômica" como prioridade
A investida chinesa não ocorre de forma isolada. Do outro lado do tabuleiro, os países do G7 abandonaram a passividade e passaram a blindar suas economias. Em vez de focar apenas na taxação de importações — prática comum nas antigas guerras tarifárias —, os Estados Unidos e a União Europeia agora priorizam o controle rígido sobre a exportação de tecnologia, capital e conhecimento, além de exigir rastreabilidade total das mercadorias.
A dependência excessiva de um único fornecedor externo passou a ser classificada como um risco geopolítico inaceitável. Diante disso, o bloco ocidental defende estratégias como a formação de estoques reguladores estratégicos e a prática do reshoring e friend-shoring (trazer as indústrias de volta para o próprio país ou migrá-las para nações aliadas).
No comércio agrícola, essa barreira ganha contornos de exigências fitossanitárias. Neste ano de 2026, a União Europeia subiu o tom ao criar critérios sanitários severos, com foco na restrição ao uso de antimicrobianos na produção de proteína animal.
O Brasil à mesa das grandes decisões globais
É exatamente nesse cenário de extrema pressão regulatória que o Brasil tenta se posicionar como um fornecedor confiável, neutro e de grande escala. A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7 ilustra bem essa dinâmica. Embora o Brasil não integre o grupo das economias mais ricas, o país é peça fundamental no tabuleiro internacional pela sua capacidade única de produzir alimentos.
As negociações em solo europeu mostram que o caminho diplomático não será fácil. Ao ser questionado sobre a flexibilização para a entrada de carnes brasileiras no mercado europeu, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi enfático: "medidas sanitárias têm de ser cumpridas".
As discussões que envolvem tarifas, embargos e cotas de exportação deixaram de ser meras transações comerciais pontuais. O que o mercado testemunha em 2026 é a consolidação do comércio internacional de alimentos como uma das principais armas de defesa e sobrevivência das grandes potências do planeta.
Via: CNN Brasil
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