Estouro de cota de exportação para a China deve aumentar oferta e baratear carne bovina no Brasil

Estouro de cota de exportação para a China deve aumentar oferta e baratear carne bovina no Brasil

Imagem: Amanda Perobelli

 

Os consumidores já começam a encontrar cortes nobres e tradicionais de carne bovina com preços mais acessíveis nos açougues e supermercados. Levantamento do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em parceria com a Fipe, aponta retração nos preços em cortes como alcatra (-1,12%), picanha (-0,55%), filé-mignon (-0,54%) e coxão duro (-0,49%).

Apesar de a redução inicial atingir cortes específicos, a expectativa de analistas do setor pecuário é de que a queda nos preços ganhe força e se espalhe pelas prateleiras nos próximos meses.

O principal motivo para essa projeção vem do comércio exterior. Segundo dados da consultoria Safras & Mercado com base em relatórios da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil atingiu 100,06% da cota anual de exportação de carne bovina destinada à China.

Como o limite tarifário foi ultrapassado antes do fim do ano, os novos embarques para o país asiático passam a pagar alíquotas tributárias mais altas. Isso reduz temporariamente o ritmo de envios para a China e força o redirecionamento de grande volume da produção para o mercado consumidor interno até a renovação da cota, prevista para janeiro.

Maior oferta interna e custos de produção mais baixos

De acordo com o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, o cenário internacional marcado pelo protecionismo e dificuldades de negociação com outros grandes compradores, como os Estados Unidos, fará com que a maior parte do excedente fique no país.

"A tendência é que haja uma oferta maior no mercado doméstico. Parte desse volume pode até ser direcionada para outros mercados, mas a expectativa é que uma parcela significativa permaneça no Brasil. Em dois ou três meses, esse movimento deve começar a aparecer de forma mais evidente nos preços pagos pelo consumidor", explicou o economista.

Além do maior volume de carne represado no país, outros fatores colaboram para frear os aumentos na pecuária:

  • Custos de insumos mais baratos: A recente queda na taxa de câmbio barateou insumos importados da cadeia produtiva;

  • Recuperação das pastagens: A melhora nas condições do campo reduziu o custo com alimentação suplementar do gado, aliviando a margem dos produtores e refletindo diretamente no valor final do produto.

Via: CNN Brasil

 

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