Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil
A baixa visão na infância pode afetar muito mais do que a capacidade de enxergar. Segundo especialista, alterações visuais não identificadas precocemente podem interferir no desenvolvimento motor, cognitivo, na comunicação, na aprendizagem e na interação social da criança.
O alerta foi feito pela oftalmologista Maria de Fátima Neri durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador. O evento termina neste sábado (12).
De acordo com a especialista, a baixa visão não deve ser entendida apenas como uma redução da acuidade visual. É necessário avaliar como a criança utiliza a visão que possui e de que maneira a condição interfere em suas atividades cotidianas.
Entre as possíveis causas estão retinopatias provocadas por infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus, catarata congênita, glaucoma congênito, alterações do nervo óptico, albinismo, doenças hereditárias da retina, alta miopia, doenças neurológicas, alterações visuais de origem cerebral e prematuridade.
Sinais que merecem atenção
Alguns comportamentos podem indicar que a criança apresenta alguma dificuldade visual. Entre eles estão não acompanhar objetos com os olhos, apresentar pouca fixação do olhar, aproximar excessivamente objetos dos olhos, esbarrar ou tropeçar com frequência e ter dificuldade para enxergar em ambientes com pouca iluminação.
Também são considerados sinais de alerta a sensibilidade excessiva à luz, a busca intensa por fontes luminosas, dificuldade para reconhecer pessoas ou objetos e atrasos no desenvolvimento sem uma causa definida.
A avaliação também deve considerar situações do cotidiano: se a criança reconhece rostos, consegue localizar objetos, brinca com autonomia e como se comporta em diferentes condições de iluminação.
Segundo a oftalmologista, quanto mais cedo a intervenção for iniciada, maiores são as possibilidades de utilizar a visão residual da criança para desenvolver estratégias que favoreçam sua autonomia e seu desenvolvimento.
O acompanhamento pode envolver estimulação visual, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de profissionais de áreas como terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e pedagogia.
A especialista reforça que o encaminhamento precoce não significa apenas cuidar da visão, mas também contribuir para preservar o desenvolvimento, a autonomia e o futuro da criança.
Via: Agência Brasil
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