Estudo do MapBiomas aponta que 38% das comunidades habitadas da Amazônia sofreram severamente com o El Niño

Estudo do MapBiomas aponta que 38% das comunidades habitadas da Amazônia sofreram severamente com o El Niño

Imagem: Rafa Neddermeyer

 

Mais de um terço (38%) das ocupações humanas na Amazônia enfrentaram alta exposição aos impactos do fenômeno El Niño, aponta um estudo publicado nesta sexta-feira (4 de setembro) pela rede MapBiomas. Das 5.673 localidades habitadas catalogadas no bioma, 2.172 sofreram severamente com os efeitos do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Tropical.

O fenômeno altera a circulação atmosférica e desregula os regimes de precipitação. Diante dos alertas meteorológicos que preveem a atuação de um "Super El Niño", pesquisadores analisaram dados históricos de chuva e superfície de água acumulada para medir o impacto na região.

Redução hídrica e alta nas temperaturas

Entre os meses de setembro e novembro, a superfície coberta por água na Amazônia registrou retração de 1,9 milhão de hectares em relação à média histórica mantida entre 1985 e 2025. O volume total de chuvas ficou 27% abaixo da média para o trimestre.

Paralelamente, as temperaturas máximas médias anotaram um aumento expressivo de 2,6 °C acima do padrão histórico observado para o período.

"Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação", ressalta Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe do MapBiomas.

Impacto direto nas populações locais

O levantamento analisou diferentes arranjos de ocupação humana, incluindo núcleos urbanos, áreas rurais, terras indígenas, territórios quilombolas e assentamentos.

Os dados revelam que 93% das localidades analisadas (5.273 locais) estão situadas a no máximo 5 quilômetros de áreas que registraram perda de superfície hídrica.

"A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais", complementa o pesquisador.

O estudo destaca ainda a vulnerabilidade acumulada do bioma: ao longo dos 41 anos da série histórica do MapBiomas, a Amazônia perdeu 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a uma redução de 14% da cobertura verde original. A análise combinou dados das Coleções de Cobertura, Uso da Terra e Água do MapBiomas com informações do IBGE e do Painel El Niño do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Via: Agência Brasil

 

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