Estudo do TCE-PR aponta quase 690 mil registros de violência contra a mulher e subsidia auditorias no Paraná

Estudo do TCE-PR aponta quase 690 mil registros de violência contra a mulher e subsidia auditorias no Paraná

Imagem: Joédson Alves

 

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) revelou, por meio de levantamento inédito realizado pela Coordenadoria de Auditorias (CAUD), que o estado contabilizou cerca de 688 mil ocorrências de violência contra a mulher entre os anos de 2019 e 2025. O estudo aponta ainda que 68% dos 399 municípios paranaenses registraram ao menos uma morte violenta de mulher no período analisado, com maior concentração de casos nas regiões do Litoral e Centro-Sul.

O relatório cruzou informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para compor um índice analítico ponderado por taxa de habitantes. O objetivo da apuração técnica é orientar a fiscalização e subsidiar a realização de auditorias operacionais sobre as políticas públicas municipais de enfrentamento à violência de gênero. Desde o ano passado, 12 municípios das diferentes regiões do estado já receberam equipes técnicas do Tribunal para inspeções em campo.

Destaques regionais e análise espacial

Na avaliação geral do índice elaborado pelo TCE-PR, os municípios litorâneos de Matinhos e Pontal do Paraná lideram os indicadores de violência. Paranaguá destacou-se por ser o único município do Paraná a figurar simultaneamente em agrupamentos territoriais com altas concentrações de registros de violência doméstica, homicídios e ocorrências de estupro.

A análise espacial do Tribunal identificou também dinâmicas regionais específicas:

  • Homicídio doloso consumado: Concentração expressiva na região do Litoral (Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes).

  • Violência doméstica: Registros dispersos, com índices elevados no Noroeste (Paranavaí, Mirador, Nova Aliança do Ivaí e Tamboara), Sudeste (Bituruna) e Litoral.

  • Estupro notificado: Maior concentração na Região Centro-Sul (Pinhão, Reserva do Iguaçu, Foz do Jordão, Coronel Domingos Soares e Palmas), além de trechos do Sudeste e da Região Metropolitana de Curitiba.

A equipe técnica do órgão de controle pondera que os dados refletem os casos formalmente registrados junto aos órgãos policiais. Diante disso, taxas reduzidas em determinadas localidades podem indicar tanto menor incidência quanto presença de subnotificação ou fragilidade nas estruturas de acolhimento às vítimas.

Via: Bem Paraná

 

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