Imagem: Inmet/Painel El Niño
O estudo é assinado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Conforme o boletim, há 100% de probabilidade de que o El Niño se mantenha ativo pelo menos até o início de 2027. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e é considerado "muito forte" quando a elevação de temperatura na região ultrapassa os 2°C.
Apesar de ocorrer no Oceano Pacífico, o fenômeno altera a circulação dos ventos e a distribuição de umidade em nível global, favorecendo a ocorrência de eventos climáticos extremos como tempestades, secas severas, ondas de calor e queimadas. Especialistas ponderam, contudo, que o El Niño atua em conjunto com outros sistemas meteorológicos regionais, que podem amenizar ou intensificar seus efeitos.
Sul do Brasil deve concentrar chuvas volumosas e temporais
Historicamente, a Região Sul é a mais afetada pela atuação do El Niño, especialmente durante os meses de primavera e verão. A previsão aponta para chuva acima da média, temporais frequentes, cheias de rios, alagamentos e risco de deslizamentos de terra. Especialistas da Climatempo apontam que o alto volume de chuva registrado no Rio Grande do Sul ao longo de julho já reflete os primeiros impactos do fenômeno no ano.
A preocupação na Região Sul é agravada pelo fato de que os solos e bacias hidrográficas já se encontram com elevados níveis de umidade, diferentemente do cenário registrado em 2023. Isso reduz a capacidade de absorção do solo e eleva o risco de transbordamentos.
Para o setor agrícola, se por um lado a umidade beneficia lavouras de inverno, por outro traz riscos pelo surgimento de doenças fúngicas nas plantas e dificuldades no tráfego de máquinas agrícolas para manejo e colheita.
Impactos nas demais regiões do país
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Norte: A tendência é de seca prolongada, precipitações abaixo da média e atraso no início da estação chuvosa. O cenário amplia o risco de queimadas florestais na Amazônia e reduz o nível dos rios, afetando a navegação e o abastecimento de comunidades locais.
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Nordeste: Expectativa de redução do período chuvoso, elevação das temperaturas e menor volume em reservatórios. O Painel alerta que cerca de 40% da região já enfrenta seca moderada, índice bem superior aos 10% registrados no meio de 2023.
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Centro-Oeste: Possível atraso na chegada das chuvas e aumento dos períodos de calor intenso com baixa umidade do ar, elevando o risco de queimadas. Em contrapartida, o tempo seco deve favorecer a colheita da segunda safra de milho e algodão.
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Sudeste: Aumento nas temperaturas médias, ondas de calor duradouras e irregularidade na distribuição das chuvas no início do ciclo chuvoso. O calor contínuo deve elevar a demanda por água e energia elétrica.
Monitoramento e orientações à população
Os órgãos que integram o Painel El Niño recomendam que gestores públicos e a população acompanhem constantemente as atualizações de boletins e alertas da Defesa Civil. A orientação é para que moradores em áreas de vulnerabilidade mantenham cadastros atualizados para o recebimento de avisos de emergência e conheçam as rotas de fuga indicadas em caso de eventos desastrosos.
Via: CNN Brasil
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