Embargo da União Europeia às carnes brasileiras pode gerar prejuízo de R$ 2 bilhões por ano ao Paraná

Embargo da União Europeia às carnes brasileiras pode gerar prejuízo de R$ 2 bilhões por ano ao Paraná

Imagem: Claudio Neves/Portos do Paraná

 

Entrou em vigor nesta quinta-feira (3 de setembro) o embargo da União Europeia (UE) às importações de determinados produtos de origem animal vindos do Brasil. A medida pode causar um impacto financeiro superior a US$ 392,2 milhões anuais (mais de R$ 2 bilhões) apenas na economia do Paraná, somando as perdas projetadas para os setores da avicultura e da bovinocultura de corte.

A estimativa toma como base os volumes comercializados pelo Estado com o bloco europeu ao longo de 2025, quando o Paraná exportou 118,7 mil toneladas de carne de frango (US$ 382 milhões) e 1,4 mil toneladas de carne bovina (US$ 10,2 milhões). A suspensão abrange também mel, equinos, tripas e itens da aquicultura. Por ser o maior produtor e exportador de carne de frango do País, atendendo a mais de 150 nações, o Paraná tende a registrar os maiores reflexos no segmento avícola.

Impacto nos preços ao consumidor e representatividade do mercado

Apesar das perdas milionárias para a agroindústria, o embargo não provocará redução imediata no preço das carnes nos supermercados brasileiros. A explicação reside na representatividade do mercado europeu: as vendas para a UE correspondem a apenas 8% das exportações totais de carnes do Brasil e a 5% das exportações do Paraná.

No primeiro semestre de 2026, o Paraná vendeu ao bloco europeu cerca de US$ 224 milhões em proteína avícola (78,7 mil toneladas) e US$ 4,6 milhões em proteína bovina (643 toneladas), segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A liderança do setor rural ressalta que o mercado europeu funciona como uma "vitrine de exigências sanitárias" global, o que torna a manutenção das vendas estratégica para a imagem do agronegócio brasileiro.

Auditorias técnicas e perspectiva de retomada

Diante do cenário, o Sistema FAEP solicitou medidas urgentes ao Governo Federal para reverter as restrições, destacando os rígidos padrões sanitários do Estado, reconhecido desde 2021 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação — status também estendido ao Brasil e chancelado pela China.

A expectativa da cadeia produtiva é que o embargo sobre a carne de frango seja suspenso em curto prazo. Desde 24 de agosto, auditores técnicos da União Europeia cumprem agenda de inspeção em propriedades e frigoríficos brasileiros para avaliar os sistemas de fiscalização, processamento e o uso de antimicrobianos.

Por que o preço da carne não cai no mercado interno:

  • Baixa fatia de exportação: As vendas para a União Europeia representam cerca de 5% do volume total de carnes exportado pelo Paraná, não gerando excedente suficiente para desequilibrar a oferta local.

  • Oferta limitada de gado: O preço no mercado interno segue balizado pela menor disponibilidade de animais para abate e pelo ritmo constante de compra de grandes parceiros, como a China.

  • Redirecionamento de cargas: Os frigoríficos possuem capacidade logística de escoar a produção para outros mercados receptores na Ásia, Oriente Médio e América do Sul.

  • Variações pontuais: Cortes específicos adaptados às exigências europeias podem sofrer reajustes temporários na margem da indústria até encontrarem novos compradores, mas sem repasse significativo para o consumidor final nos supermercados.

Via: Bem Paraná

 

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