Imagem: Valter Campanato
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a público nesta quarta-feira, 22 de julho, para esclarecer e desmentir informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. A Corte reafirmou categoricamente que a empresa venezuelana Smartmatic não forneceu e não fornece urnas eletrônicas para o Brasil, tampouco atuou no desenvolvimento dos programas e softwares utilizados nos equipamentos de votação.
O esclarecimento do tribunal ocorreu após declarações dadas na última segunda-feira (21) pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Durante evento com diplomatas, o parlamentar associou, sem apresentar provas, o maquinário brasileiro à empresa venezuelana.
Por meio da página oficial "Fato ou Boato", o TSE resgatou notas explicativas emitidas desde 2017 para combater a desinformação recorrente sobre o tema. Em nota, a Justiça Eleitoral destacou que as urnas são totalmente projetadas por técnicos e servidores do próprio tribunal e fabricadas por empresas contratadas mediante licitação pública — como a brasileira Positivo, que venceu a disputa para o pleito de 2020. A Smartmatic manteve contratos antigos apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz.
Declaração em evento e citação a documento da CIA
A declaração de Flávio Bolsonaro ocorreu durante o painel Debating Brazil. Na ocasião, o senador citou um documento desclassificado da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) referente a eleições na Venezuela para associar a Smartmatic ao sistema do Brasil.
Contudo, o próprio relatório norte-americano não concluiu a existência de fraudes eletrônicas em larga escala no país vizinho entre 2004 e 2020, apontando outros fatores para explicar os resultados eleitorais. A declaração do pré-candidato gerou fortes reações de especialistas e adversários políticos, que apontaram a repetição de estratégias de ataques ao sistema de votação.
Posicionamento da pré-campanha
Em nota oficial, a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha questionado a integridade das urnas brasileiras. Segundo a defesa, o parlamentar limitou-se a relatar fatos públicos e citar o documento da CIA, incentivando a vinda de missões de observação internacional para o pleito.
A nota da assessoria, no entanto, não abordou o trecho da declaração em que o senador afirmou incorretamente que equipamentos utilizados no Brasil pertenceriam à empresa Smartmatic. A equipe reafirmou confiança no sistema eleitoral e destacou a importância da transparência no processo.
Via: Agência Brasil
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