Operação Fluxo Oculto: Cascavel é alvo de ação que desarticulou fraude bilionária de R$ 26 bilhões

Operação Fluxo Oculto: Cascavel é alvo de ação que desarticulou fraude bilionária de R$ 26 bilhões

Imagem: CGN

Cascavel amanheceu nesta quinta-feira (28) como um dos cenários da Operação Fluxo Oculto, uma grande ação nacional coordenada pela Receita Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gaeco, Secretaria da Fazenda de SP (Sefaz/SP), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as polícias Militar e Civil. O objetivo principal é desmantelar uma organização criminosa envolvida em fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 26 bilhões em todo o país. O documento oficial com os detalhes da operação foi publicado pelas autoridades nesta manhã.

No Paraná, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Cascavel e Paranavaí, além de alvos espalhados por cidades de outros quatro estados brasileiros. A força-tarefa mobilizou cerca de 135 servidores federais e dezenas de agentes policiais parceiros, o que demonstra a gravidade e a dimensão do esquema desarticulado.

Como funcionava o esquema bilionário?

De acordo com as investigações da Receita Federal, o grupo criminoso utilizava fintechs (empresas de tecnologia financeira) criadas especificamente para lavar dinheiro e ocultar a origem ilícita dos recursos. Essas plataformas operavam como verdadeiros "bancos paralelos", facilitando o fluxo de valores astronômicos longe dos radares tradicionais de fiscalização. Entre os anos de 2022 e 2025, seis fintechs identificadas movimentaram sozinhas mais de R$ 26 bilhões, utilizando volumosos depósitos em dinheiro vivo e transações com criptoativos.

Além da engenharia financeira ilegal, a operação mirou um esquema de adulteração de combustíveis. O grupo misturava nafta (um solvente químico) na gasolina e no diesel, distribuindo o produto adulterado em postos integrados à própria rede da organização. Em apenas dois anos, essa fraude lesou os consumidores e gerou um rombo estimado em R$ 200 milhões em impostos sonegados.

Endurecimento nas regras e fiscalização de fintechs

A partir do desdobramento das primeiras fases das investigações, a Receita Federal implementou novas regras, passando a exigir que as fintechs informem detalhadamente suas movimentações financeiras, o que permitiu rastrear uma teia ainda maior de envolvidos. Das seis empresas de tecnologia financeira investigadas, três já entregaram os dados solicitados, enquanto as outras três que se recusaram a cumprir a obrigação serão alvo de rigorosa fiscalização interna.

O cerco também se fechou contra fundos de investimento e empresas gestoras de ativos, que estão sob investigação por suposta cumplicidade ou participação direta no processo de lavagem de capitais do grupo.

O impacto direto no bolso do cidadão

As autoridades reforçam que crimes dessa natureza causam danos duplos à sociedade. Além de subtrair recursos que deveriam ser aplicados em serviços públicos essenciais por meio do pagamento de impostos, o esquema afetava diretamente o bolso e a segurança do consumidor na bomba do posto de combustível, uma vez que o uso de nafta pode danificar gravemente os motores dos veículos.

A Receita Federal informou que o material apreendido nos mandados será analisado e que as investigações prosseguem, com a possibilidade de novas fases e prisões nos próximos meses.

Via: CGN

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