Imagem: Thomas Suen
O cenário internacional do comércio de grãos ganhou novos capítulos que prometem impactar as exportações do agronegócio sul-americano. Por força do acordo comercial assinado em maio entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, a China está obrigada a adquirir 25 milhões de toneladas de soja diretamente dos Estados Unidos.
De acordo com uma análise de mercado divulgada pela consultoria StoneX, a expectativa é de que o gigante asiático concentre o volume dessas compras entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027. O movimento estratégico coincide exatamente com a janela pós-colheita nos EUA — período em que o grão norte-americano ganha competitividade devido ao preço mais baixo — e com a entressafra produtiva no Brasil.
Disputa Acirrada no Próximo Ano
O relatório aponta que a calmaria para as tradings americanas tem prazo de validade. Assim que passar o período de concentração de vendas dos EUA, a concorrência global deve atingir níveis intensos nos primeiros meses de 2027.
A StoneX projeta que esse cenário desafiador "deve levar o Brasil a maximizar as suas exportações a preços altamente competitivos, tornando muito difícil para os EUA elevarem seus embarques além dos volumes estritamente travados no acordo comercial".
Crise de Consumo Interno e Impacto na Ração Animal
A análise traz um sinal de alerta ao evidenciar que a economia interna da China enfrenta sérias dificuldades. O mercado de consumo local registrou retrações importantes no acumulado anual, com quedas de 0,6% nas vendas de varejo, 16,1% no setor de veículos, 8,7% em móveis e recuo de 0,6% no segmento de alimentação.
Somado à desaceleração econômica, o setor de proteína animal chinês passa por ajustes drásticos que afetam diretamente a demanda por farelo de soja:
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Redução de Plantel: O rebanho de matrizes suínas do país, que fechou abril avaliado em 39 milhões de cabeças, deve ser reduzido pelo governo para 36,5 milhões de cabeças para se readequar à realidade de consumo.
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Substitutos de Emergência: Problemas climáticos severos danificaram lavouras chinesas de trigo, fazendo com que o grão avariado seja direcionado para a produção de ração. Além disso, rumores indicam que o país planeja liberar até 17 milhões de toneladas de estoques antigos de arroz para alimentar os animais.
Esses fatores combinados diminuem temporariamente a necessidade de esmagamento e importação de soja, forçando os produtores e exportadores brasileiros a monitorarem de perto as oscilações de preços nas bolsas internacionais para garantir o escoamento da produção.
Via: CNN Brasil
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