Imagem: Stephane Mahe
Uma investigação realizada pela organização Mercy For Animals (MFA) revelou o descarte de aproximadamente 35 mil pintinhos machos em um único dia dentro de um grande incubatório localizado na Região Sul do Brasil. O nome da empresa foi mantido em sigilo pela entidade, que destaca que a prática — embora chocante — é comum e adotada em escala industrial por quase todo o setor avícola. Menos de 24 horas após o nascimento, os animais são triturados.
A denúncia, divulgada pela Agência Brasil nesta terça-feira (8 de setembro), reacendeu debates sobre o bem-estar animal, os custos operacionais da avicultura e a adoção de novas alternativas tecnológicas no país.
Conforme a MFA, o descarte dos pintinhos machos ocorre de maneira sistemática porque os animais não colocam ovos e não possuem o perfil genético exigido pelo mercado para o abate de corte. Logo após nascerem, os machos são separados das fêmeas e eliminados. A investigação também registrou o descarte de fêmeas em menor quantidade, motivado por anomalias, deformidades ou excedente de produção.
"Os pintinhos recém-nascidos possuem o sistema nervoso completamente formado e têm plena capacidade de senciência, ou seja, de sentir dor física e medo", alertou a vice-presidente de Investigações da MFA, Luiza Schneider.
Sexagem in ovo e o cenário internacional
Como alternativa à eliminação pós-nascimento, a tecnologia já oferece a chamada sexagem in ovo, método que identifica o sexo da ave ainda durante o período de incubação. A técnica permite descartar os ovos com embriões machos antes da eclosão.
No Brasil, a primeira máquina com essa tecnologia foi instalada no ano passado em um incubatório de Nova Granada, no interior de São Paulo. Contudo, o custo da inovação ainda é um entrave: enquanto o método convencional de descarte custa cerca de R$ 7 por ave, a sexagem in ovo acrescenta entre R$ 5 e R$ 10 por animal, segundo dados da Innovate Animal Ag. A entidade pondera que, como uma galinha poedeira produz cerca de 350 ovos na vida útil, o impacto no bolso do consumidor final seria de poucos centavos por dúzia.
Países como Alemanha, França, Áustria e Itália já possuem leis que proíbem expressamente a trituração de pintinhos. Outras nações, a exemplo da Suíça e da Noruega, abandonaram a prática por exigência do próprio mercado consumidor.
Legislação e projetos em tramitação no Brasil
Embora a Constituição Federal proíba a submissão de animais a atos de crueldade, o Brasil não conta com uma legislação específica para regular o descarte de aves em incubatórios.
No Congresso Nacional, duas propostas buscam alterar esse cenário:
-
PL 783/2024: De autoria da deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), o texto já passou pela Comissão de Meio Ambiente, mas recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura devido a impactos econômicos. A matéria deve seguir para votação em plenário.
-
PL 3034/2026: Apresentado em junho pela deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), o projeto ainda se encontra na fase inicial de tramitação na Câmara dos Deputados.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), representante do setor de aves e ovos no país, foi procurada para se manifestar sobre a denúncia, mas não enviou resposta até a publicação desta reportagem.
Via: CNN Brasil
RRMAIS.COM.BR – “Notícias com Credibilidade” – Guaraniaçu-PR.
Envie fotos, vídeos, sugestões de pautas, denúncias e reclamações para a equipe do Portal RRMAIS.COM.BR pelo WhatsApp (45) 9 9132-8230.