Pesquisa da Anbima revela que 20% dos apostadores no Brasil veem 'bets' como modalidade de investimento

Pesquisa da Anbima revela que 20% dos apostadores no Brasil veem 'bets' como modalidade de investimento

Imagem: Divulgação AGBR

 

O crescimento acelerado das apostas online (bets) no Brasil acendeu um alerta de mercado que vai além das perdas financeiras imediatas. Dados da mais recente edição da pesquisa "Raio X do Investidor Brasileiro", publicada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revelam que 17% da população brasileira realizou algum tipo de aposta digital em 2025.

Entre os principais motivos apontados pelos praticantes estão a busca por lucro rápido em momentos de aperto financeiro (39%) e a busca por entretenimento (32%).

Contudo, o dado de maior preocupação para educadores e analistas financeiros indica que 20% dos apostadores consideram a prática como uma modalidade de investimento.

A ilusão do 'investimento' e a linguagem de mercado

Segundo o relatório, o comportamento dos apostadores tem sido influenciado por expressões emprestadas do mercado financeiro tradicional — como "gestão de banca", "estatística", "retorno", "rendimento" e "método". Essa terminologia cria uma falsa sensação de controle técnico sobre um mecanismo pautado exclusivamente pela probabilidade matemática favorável às bancas.

Especialistas ressaltam que investir e apostar são dinâmicas opostas:

  • Investimento: Integra um planejamento financeiro estruturado com análise de riscos, prazos, liquidez, diversificação e horizonte de rentabilidade no tempo;

  • Aposta: Operação de altíssimo risco e consumo imediato, sem geração de valor ativo ou garantia de preservação de capital.

Ciclo de perdas e gatilhos emocionais

O estudo destaca que a promessa de ganhos rápidos ganha força em cenários de orçamento apertado. Nesses contextos, o ato de apostar passa a concorrer diretamente com compromissos básicos, como o pagamento de contas mensais e a formação de reservas de emergência.

Após um prejuízo inicial, muitos usuários entram no chamado "ciclo de recuperação", aumentando o valor das apostas na tentativa de reaver o dinheiro perdido. A dinâmica é impulsionada por recursos das próprias plataformas virtuais, que utilizam notificações constantes, ofertas de bônus e facilidade de pagamento via Pix para estimular o uso contínuo.

Orientações e proteção ao orçamento

A Anbima e especialistas em finanças reforçam que a educação financeira precisa abordar os fatores emocionais da tomada de decisão, tais como ansiedade, urgência e estresse econômico.

Para quem busca interromper o hábito ou evitar o comprometimento do patrimônio familiar, as recomendações técnicas incluem:

  • Desmistificação: Aceitar que apostas eletrônicas são lazer/entretenimento e nunca fonte de renda ou aplicação;

  • Controle de danos: Não tentar "recuperar" valores já perdidos realizando novos aportes;

  • Bloqueio de acessos: Excluir aplicativos de apostas do celular, encerrar contas nas plataformas e impor limites de transferência nos canais bancários;

  • Rede de apoio: Dialogar com familiares de confiança ou buscar suporte profissional especializado em dependência financeira ou psicológica.

Via: Alerta Paraná

 

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