Ministra Cármen Lúcia lamenta 'momento de descrença' nas instituições em meio à crise no STF

Ministra Cármen Lúcia lamenta 'momento de descrença' nas instituições em meio à crise no STF

Imagem: Luiz Silveira/STF

 

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta quarta-feira (16 de setembro) que lamenta o atual cenário de desconfiança e desânimo da população em relação às instituições democráticas e à administração pública do país. A fala ocorreu durante o Encontro Nacional de Controle Interno, promovido pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci).

A manifestação da magistrada reflete o tom adiantado na sessão plenária do STF de terça-feira (15), quando Cármen Lúcia chegou a pedir desculpas públicas ao povo brasileiro por não ter conseguido conter o acirramento da crise interna que atinge o tribunal.

"A democracia vive da confiança que o cidadão tem nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos de descrença e de desânimo com a administração pública que estamos passando. Erros são do ser humano, mas a busca do acerto é uma obrigação para garantir a confiança. Não é favor ou prerrogativa, é um dever que temos que cumprir", afirmou a ministra.

Sessão suspensa e divisão do Plenário

O pronunciamento ocorreu um dia após o Plenário do STF ter a sessão interrompida sem desfecho definitivo sobre os relatórios policiais que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Na sessão de terça-feira (15), os ministros analisaram uma questão de ordem suscitada sobre a condução das apurações:

  • Manutenção do desmembramento dos casos (4 votos): O presidente do STF e relator, Edson Fachin, votou por manter separadas as análises das condutas de Alexandre de Moraes e a atuação de André Mendonça na condução das investigações. Fachin foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia;

  • Análise conjunta dos casos (3 votos): Os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pelo julgamento unificado das condutas;

  • Pedido de vista: O ministro Flávio Dino, que havia acompanhado inicialmente a corrente pelo julgamento conjunto, alterou seu posicionamento para um pedido de vista, suspendendo o julgamento.

Origem do impasse institucional no STF

A tensão no Supremo intensificou-se após o levantamento do sigilo de relatórios da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master.

Entre os documentos juntados aos autos pelo relator do caso, ministro André Mendonça, consta o registro de 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, além de citações a encontros presenciais e a um contrato de R$ 130 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes.

O desdobramento gerou contestações públicas entre Moraes e Mendonça quanto ao sigilo e à seletividade de peças do inquérito. Na segunda-feira (14), a Polícia Federal entregou aos gabinetes de Moraes, Zanin e Gilmar Mendes a cópia integral dos dados extraídos dos aparelhos celulares apreendidos do banqueiro, atendendo a determinação regimental respaldada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Via: g1

 

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