Imagem: Valter Campanato
Em meio ao cenário político marcado por desdobramentos de crises institucionais e repercussões de investigações de grande porte, temas estratégicos para o futuro do Brasil continuam fora do centro das campanhas eleitorais. A avaliação é da doutora em engenharia elétrica e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia.
Em entrevista concedida à Agência Brasil, a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) alertou que o debate público no país foi empurrado para uma "falsa dicotomia" — a ideia equivocada de que os eleitores e candidatos devem optar entre fiscalizar o cumprimento das leis ou debater diretrizes de desenvolvimento a longo prazo.
"O país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda. A ciência brasileira ainda não entrou nessa campanha, justo quando precisamos de regras estáveis, orçamento previsível e planejamento contra novas pandemias", afirmou Francilene.
Mobilização e o Observatório das Eleições
Para tentar pautar a comunidade política, a SBPC lançou a iniciativa Observatório das Eleições, que reúne mais de uma centena de propostas voltadas ao avanço da ciência, inovação e sustentabilidade.
No entanto, a adesão da classe política às diretrizes propostas pela entidade científica tem sido modesta: até o momento, apenas uma candidatura ao Executivo Federal e nenhuma candidatura aos governos estaduais firmaram compromisso formal com o documento.
Entre os pontos considerados urgentes para a soberania e para a economia do país, a presidente da SBPC destacou:
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Minerais críticos e terras raras: A urgência de o Brasil industrializar e processar internamente insumos essenciais para a cadeia global da transformação digital e da transição energética;
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Mudanças climáticas e agroindústria: Medidas concretas de adaptação e mitigação de eventos climáticos extremos que já impactam as cidades brasileiras, os biomas e o setor do agronegócio;
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Prevenção de crises sanitárias: Estruturação contínua do Sistema Único de Saúde (SUS), fomento à produção de imunizantes nacionais e enfrentamento da desinformação sobre vacinas;
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Soberania digital e Inteligência Artificial: Formulação de políticas de estado para garantir a autonomia tecnológica e a retenção de cérebros no país;
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Transição demográfica: Ações para preparar o Brasil para o envelhecimento populacional acelerado e a consequente redução da faixa etária produtiva nas próximas décadas.
Respeito às instituições e devido processo legal
Questionada sobre a atuação das entidades de pesquisa frente aos escândalos e controvérsias do cenário político atual, Francilene Garcia enfatizou a posição neutra e técnica das instituições científicas, defendendo o cumprimento estrito da Constituição Federal e a preservação do amplo direito de defesa.
A pesquisadora reforçou que o encadeamento dos processos investigativos deve correr dentro dos prazos da lei e sem instrumentalizações políticas ou vazamentos seletivos, evitando que disputas de narrativas continuem drenando o espaço necessário para a discussão dos projetos de nação.
Via: Agência Brasil
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